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AINDA LHE REVEJO, MARIELLE!

Atualizado: 27 de Dez de 2019


Ainda lhe revejo, Marielle! Vejo de novo de tu sorrir Vejo xingar o que não presta E quando vence, aplaudir E voltar a fazer festa Sem que ninguém possa impedir

Me roubaram teu abraço, Marielle Me levaram teu colo macio Que um dia me acolheu Me tirou do choro, me deu brio Pra muita gente não doeu Mas o meu coração se partiu

Um reino de bárbaros escrotos Se instala em uma nação civilizada Que já foi grande potência Quando outrora governada Por homens de competência Lutando por toda sua jornada

Sequer cito presidentes Todos com seus defeitos Ou sequer inconfidentes Também não cito prefeitos Mas falo de dirigentes Que ao mundo impunham respeito

Como Dom Pedro II Que conduziu esta nação E que mesmo moribundo Contribuiu com a abolição E que em todos os cantos do mundo Se fala bem do cidadão

O que seria de Steve Jobs Se não fosse Dom Pedro Graham Bell não seria visto A Inglaterra imporia medo E de tudo que foi feito e dito Seu governo não era brinquedo

Imprensa livre, marinha poderosa Brasil unido de fato Toda a gente orgulhosa Estrada de Ferro rasgando Toda essa pátria cheirosa E o progresso espalhando

Felicidade para o povo Alimento para a nação Neste mesmo período Dumont inventava o avião Castro fez “Navio Negreiro” A rainha ouviu um NÃO!

Quando na Questão Christie Ela queria julgar um militar brasileiro Por uma briga de bar Com um marinheiro estrangeiro Que então quis se colocar Acima de um cidadão verdadeiro

Dom Pedro ainda fez mais Fundou o batalhão feminino E fez a nação abrilhantar Quando Quitéria, ainda menina Então fugiu de seu lar Pra lutar contra o que abomina

O primeiro presidente O que fez foi aumentar Logo o próprio salário E a imprensa censurar Tirou o povo de otário E ficou no comando sem sequer o consultar

O salário no Império Era cinco vezes maior E hoje sem nenhum critério Põe-se o povo na pior E manda pro cemitério Garoto ainda menor

Marielle é uma das tantas Que lutou pra confirmar A abolição inglória Que tentamos materializar Já faz tempo que não conto É uma luta secular

A Reforma Agrária, então, Foi ele que discutiu Firmou o primeiro acordo A sua palavra cumpriu Nunca falou um palavrão Isso, ninguém nunca viu

Pedro II não tinha escravos Ele alforriou os que ganhou de herança Muitos eram seus amigos Desde os tempos de criança E todos eram contratados E vistos com confiança

E hoje vemos a barbárie Que se instalou na nação Fuzil calando as bocas Gente arrancando coração Pessoas fazendo forcas De tamanha desilusão

O que foi que aconteceu? Perdemos mesmo a razão? Marielle foi embora E eu to com saudades dela Meu coração agora chora Eu queria o colo dela...

Graciliano Tolentino 15-12-2018







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